Religião e a minha Liberdade

“A verdadeira religiosidade é refletida na plena entrega à existência.”

Cada vez mais cresce na humanidade o impulso para a individualidade e a liberdade.
Para isso a humanidade trilhou por algum tempo um caminho que a afastou do divino, do espiritual. Mas na nossa época cresce, sempre mais, o impulso da procura de uma nova espiritualidade, agora como individualidades livres.

Ao longo da minha vida, fui apresentado as duas principais religiões na minha família, A Evangélica e a Católica, e individualmente em minha trajetória, pesquisei outras, para tentar compreender a essência de cada uma delas e encontrar algo que me identificasse.

Infelizmente isso não ocorreu, e hoje, sigo meus próprios meios de me manter conectado com a criação, a natureza e o Universo, tudo baseado em ideais lógicos, como a bondade, a caridade e o amor.

Felizmente, tive uma criação partindo de minha mãe com todos esses valores sociais, e que me permitiu ressignificar e viver mais livremente estes sentimentos, que recentemente, encontrei mais sintonia com uma filosofia de vida e que tenho falado constantemente aqui – a Antroposofia.
Mas tenho meus motivos. Lembro-me que quando percebi, na infância, que eu não me enquadrava no “normal” da sociedade, fui sendo bombardeado por ideias que me aprisionavam. Sempre fui sensível e com um olhar especial para a vida, que cá entre nós é fora dos padrões. Sempre questionava tudo.

Nas religiões, infelizmente, aprendi que ser “diferente” era sinônimo de alguém que não merecia amor, ou seja, não merecia ser amado e isso me trouxe consequências psicológicas duras e muito graves ao longo da vida, que hoje em dia, ainda luto para melhorar esta relação interna.
Com superiores duros e com pouco conhecimento da vida, ouvia discursos de ódio dentro de um lugar que oferecia paz, e isso infelizmente acontece até hoje, pois sempre dei novas oportunidades de ouvir o outro lado. E infelizmente também, lidei com muita intolerância, que se intensificava principalmente na família.

Por ser muito questionador, aos meus 12 anos assistir tudo isso não me fazia o menor sentido, e por isso, decidi sair de todas, e seguir o meu próprio caminho, com minha fé e o meu crer em algo superior a nós humanos.
Acredito fielmente no amor, e que a bondade é algo que irá transformar o mundo. Mas não entra e nunca entrou na minha cabeça que não acolher, julgar o próximo e ofender não são atitudes nobres de quem levar algo – a religião – tão a fundo.

Acredito que a espiritualidade é muito superior a rótulos e dogmas, e que no fundo, tudo parte de uma mesma essência: o amor.
Um dos meus maiores traumas nasceu de uma religião específica – e que é bastante polêmica, a Evangélica. Minha mãe foi obrigada por um parente a seguir, e por consequência, eu e meus irmãos foram juntos em seguida. Só que eu era diferente.

Quando atingi os meus 15 e 16 anos, esta religião me condenava por minhas preferências, que até então eram homossexuais, o clássico. Só que de lá para cá muitas coisas se transformaram, e hoje eu me considero uma pessoa livre e neutra, como já disse aqui, que amo as pessoas.

E isso é considerado errado.
Ouvia quase sempre que não podia ser um bom filho, que não podia ser uma boa pessoa, que não podia ser digno do amor do criador, por conta dessa escolha. Só que ninguém percebe que não é uma escolha, e sim um sentir.
O amor é puro, é belo. E nessa idade, estamos transitando por muitas questões internas onde o que mais precisamos é amor e acolhimento, e não julgamento e intolerância.

Na minha família, este acolhimento ocorreu nitidamente apenas por minha mãe e uma irmã. É o tipo de assunto que não se fala, e sempre traz desconforto e claramente incômodo. Já fui julgado por ser doente e procurar ajuda espiritual para isso para vocês terem ideia. Mas minha intenção sempre foi amar. E minha escolha também.
Amar o que não era compreendido e tentar me tornar o melhor que eu podia ser, em todas as fases da vida. Esses valores eu aprendi na espiritualidade, nessa energia positiva que nos une, e que magicamente me fez sentido ao conhecer a Antroposofia, mesmo dentro dela ter uma boa parte dos conceitos baseados no cristianismo.

O que mais me incomoda na religião é que tudo é baseado em algo: no medo. Se refletirmos bastante, percebemos que existe uma espécie de cultura do medo, onde se você não for bom será punido. Mas o que todos não compreendem é que essa bondade deve vir do coração, do amor. E amor é acolhimento.

Sei que é um assunto difícil de discutir, mas o mais importante disso tudo é compreendermos que é no amor que entendermos a liberdade.

Quando me vi livre de regras, pude amar mais, e dividir com o mundo e as pessoas a bondade de ser alguém melhor e em constante evolução, principalmente, com a humanidade e a comunidade.
Acredito fielmente que não precisamos de locais específicos ou rituais para praticar o bem, e sim a vida em si, o dia a dia, e em cada oportunidade que temos de tocar o próximo. E claro, dar e distribuir amor e bondade.

Importante:
Peço gentilmente que você compreenda minha história e meu contexto, antes de julgar. Meu papel aqui é apenas levantar um assunto para discutir. Não existe certo e errado, mas sim aquilo que nos faz feliz.
E para mim, vai ser sempre o caminho do bem.

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Créditos de fotos: Thiago Vicente
Edição e manipulação de imagens: Thiago Vicente

Referências de pesquisa de texto: SAB, Antroposofy