Minhas cicatrizes, tatuagens e Ressignificação

A natureza faz do ser humano um mero ser natural. A sociedade o transforma em um ser que age conforme leis. Mas só ele próprio pode fazer de si um ser livre. – Rudolf Steiner

Quando ouvi pela primeira vez a palavra ressignificar, na Antroposofia, um mundo novo me surgiu. Compreendia que podia dar novos significados a dores, e principalmente, cicatrizes da vida. E através de uma escolha pessoa – as tatuagens, consegui estabelecer uma maior conexão com estes novos sentidos.

Desde que entendi a Antroposofia como uma filosofia de vida que busca principalmente o equilíbrio, comecei a ressignificar meu olhar para tudo. E claro, que tudo que partia disso.
Meu modo de viver se transformou nos anos, meu trabalho, minhas relações e meu amor próprio.
E claro, que minhas dores.

Antes do Harley, meu antigo cão me atacar e me deixar várias cicatrizes no corpo, eu já possuía algumas cicatrizes no corpo, de pequenos acidentes na infância.
Mas as marcas que ele me deixou foram profundas, e por isso tomei uma decisão ao conhecer este termo: ressignificar, dar novos significados aqueles momentos.
Enquanto decidia o que faria, refletia as dores e os momentos, e tentava encontrar algo positivo de cada situação. Na época ainda não fazia terapia intensiva como hoje, mas encontrava sem perceber uma forma disso.

Aos poucos fiz as tatuagem, que mesmo pequenas, tem grandes significados. E o mais impressionante é que quanto mais tempo se passa, mais significados elas ganham.

A primeira tatuagem que fiz foi aos 18 anos, nas costas.
Ela significa proteção, e remete ao criador e a minha mãe, que sempre me protegiam na vida. E o impressionante é que desde então, em todos os acidentes ou situações difíceis, me sinto protegido.

Longos anos se passaram e o acidente com o Harley ocorreu. Fiquei com muitas cicatrizes e dores. Então comecei pelo braço, na primeira mordida do Harley. Fiz o triângulo, que até se tornou minha marca registrada. Ele significa equilíbrio e me centra na minha busca individual pela vida. Ela é a que eu mais vejo no meu dia a dia e foi escolhida propositalmente.

Foi ai que criei uma regra para não sentir dor, e sim trazer estes novos significados: minhas tatuagens seriam formas geométricas divinas – assunto para outro vídeo – e teriam o mesmo tamanho e traço.
Assim, se foi. Em seguida, fiz este pequeno quadrado no peito. Pois sentia muita dor no coração pelas pancadas da vida. Seu significado é simples: força é fé. E toda vez que abaixo minha cabeça, triste, olho para ela e me recordo do significado e levanto a cabeça para a vida.


Ao mesmo tempo, fiz uma na perna esquerda – uma pequena âncora numa das marcas, que significa principalmente a busca da tranquilidade. Mas esta era para cobrir uma marca de um machucado na infância.
Aproveitei para ressignificar também outras histórias de vida.

Depois, fiz uma pequena lótus, representando o meu renascimento, na segunda marca de mordida do  Harley. Ao final, renasci mesmo. E percebi a dádiva da vida.
Ainda tenho outras marcas, que aos poucos vou preenchendo e escolhendo o melhor momento da vida, quando me sinto preparado.

Recentemente fiz minhas últimas: nas costas, um pequeno sinal de mais, que representa o meu par de asas refletindo minha liberdade, numa região onde sentia muita dor querendo levar o mundo nas costas e até mesmo esta coisa crística de sofrer e levar minha cruz, que hoje desejo ser leve – sobre religião infelizmente não tive boas situações, e trarei um vídeo sobre isso.

E por fim, esta no dedo indicador, que representa abundância e gratidão, em uma das marcas que Harley deixou em minha mão, para lembrar que tudo que toco é fruto de abundância e gratidão, e que na vida tudo é para frente, como o próprio dedo indica.
Esta confesso que é especial, pois geralmente ao cumprimentar novas e antigas pessoas e amigos, toco e esse ato de tocar é especial para mim, como uma troca de energia. E dessa maneira divido e partilho a minha energia, que sempre espero ser abundante e de muita gratidão.

Bem, essa foi uma das forma que encontrei de ressignificar minhas dores e minhas cicatrizes das vida. Sabemos que na vida, em cada etapa, passamos por situações que trazem consequências, e como sempre digo, é a partir disso que podemos escolher o que fazer com o que sobra disso.

Ressignificar é um ato revolucionário, e que, se bem feito, podem trazer à nossa vida benefícios incontáveis. O segredo é seguir o fluxo, a vida, e trazer amor e luz, para cada vez mais, escolhermos tudo o que de melhor das situações podem nos trazer. Criar novos laços, nos preservar e amar.

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Assista a palestra Ressignificando Limites,
da Dra. Ana Paula Cury, que aborda este tema:

 

Créditos de fotos: Thiago Vicente
Edição e manipulação de imagens: Thiago Vicente

Referências de pesquisa de texto: Clínica Tobias