Minha casa colorida e o Desapego

“Tudo que é passageiro, é apenas alegoria” (R. Steiner, 2007).

O Desapego nada mais é que ter a capacidade de abrir mão de coisas que julgaria importante, além de sentimentos presos a outras pessoas.

Em outras palavras, desapego é transformador.
Durante a vida, aprendemos a ser e não a ter, isso é um fato. Mas aprendemos com as dores do caminhar, não tem jeito.

Hoje pela manhã, vi um comentário muito gentil de uma seguidora, que dizia me seguia desde a época da minha casa colorida em SP.
E deu saudade, do meu canto, das minhas cores, da minha vida. Mas também deu vontade de viver mais e aprender mais sobre ele – o desapego.

Quando fiz o bazar para vender tudo de lá, que incentivado aqui no instagram teve um poder tremendo de divulgação, foi divertido. Nessa época o OliverThi era forte aqui. E tive ajuda: ele mesmo, minha criança interior – o próprio Oliver Thi, inspirado no filme “Os Delírios de consumo da Becky”, disponível na NetFlix, que conta a história de uma consumista compulsória vendendo tudo para se restabelecer. Recomendo inclusive.
Só que o Thiago Vicente, atrás, sofria. Pois em naquele mesmo instante, eu via uma vida e um casamento construídos de 7 anos chegar ao fim.

Desapegar era preciso. E somente hoje, quase 6 anos depois consigo falar com naturalidade sobre isso.
Foi um processo lento, pois eu me distanciava dele sempre que podia. Mas era necessário, pois sozinho não conseguia. E claro que isso me trouxe a depressão, que sem a ajuda do Yuri e de terapeutas não seria possível. Mas mais importante do que isso, era preciso tempo para processar.

Na época, tinha acabado de me divorciar. Entreguei tudo e fiquei apenas com Yuri. Refiz minha casa e minha vida. Só que ao mesmo tempo não aceitava que tudo tinha acabado.

Queria me reconstruir, viver, colorir.
E tudo doía. Toda vez que via uma foto, depois do desapegar, chorava intensamente. E para piorar um pouco, enfrentei uma dor a mais: uma crise financeira e o encerramento da Bonifrati, meu ateliê e uma demissão em massa – história para outro vídeo.

O tempo e o desapego são importantes ter para aprender o valor do ser.

Somos humanos, experienciando a vida. E toda ferramenta de aprendizado e evolução é necessária para sentirmos na intensa profundidade do ser, para compreendermos, despertarmos a consciência e enfim se libertar de amarras que nós mesmos criamos em nossa mente.

A vida precisa de novas perspectivas para ganhar crescimento e progresso.
Culturalmente somos bombardeados em cada vez mais ter para sermos felizes. E não tem nada de errado nisso, quando não beiramos o excesso.

É importante termos coisas para nos entendermos como somos, nossa personalidade e até mesmo nosso ego. Mas é nesse ponto que se encontra uma linha ténue: o equilíbrio.

Eu, por exemplo, percebi ao longo da vida que a liberdade de se poder ir e vir é mais importante do que ter coisas demais. Apesar de também querer ter um ponto fixo – ainda que seja difícil.

Mas com o tempo fui percebendo que poucas coisas, como elementos e pequenos objetos já me traziam essa paz do lar. E pouco a pouco fui percebendo também que desapegar era um exercício de liberdade, de equilíbrio, como aprendido na Antroposofia.

Quanto mais desapegava, mais me sentia livre. E mais me sentia pertencido.

Hoje quando chego a um novo lugar, procuro aquilo que me conecto: plantas elementos naturais, matéria prima orgânica como tijolos, fibras e cordões. E o mais mágico era que isso sempre me era apresentado, como um presente.

Esta é a magia do fluir, aprendida na Antroposofia: que quando estamos conectados, tudo se organizar como deve ser, em qualquer lugar, basta exercitarmos um olhar de amor para a nossa volta.
Neste aspecto, o desapegar apenas se tornou algo a mais. Apegar e desapegar se torna um processo. E quanto mais exercito, mais livre sou.

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Veja todas as matérias que surgiram depois desse processo intenso de desapego:

 

Créditos de fotos: Minha Casa e Thiago Vicente
Edição e manipulação de imagens: Thiago Vicente

Referências de pesquisa de texto: Luaama, Broder, Namu