Meu PikachuCar e o Orgulho

“O orgulho pode nos levar a crer que sabemos mais, e isso nos leva ao erro. Então ele não pode mais distinguir entre as coisas verdadeiras e falsas… é assim que a ambição e o erro estão ligados.”
Rudolf Steiner

Quando a Exame lançou a nota “fã do anime, Oliver Thi, transformou seu carro – um New Beetle amarelo, no PikachuCar, e o disponibilizou para uma operadora de aluguel de carros” a chuva de críticas foi instantânea: pessoas dizendo que aquilo era humilhação à vergonha alheia.

O que ninguém sabia ou pelo menos não perguntavam, era como eu estava naquele momento. Eu estava desesperado, procurando uma oportunidade para recomeçar, para trabalhar.

Eu estava com um carro que consegui conquistar com meu trabalho, mas que não cabia mais no meu estilo de vida e nem nas finanças. Minha realidade era básica. Não tinha dinheiro para o seguro e menos ainda para a gasolina. E para piorar um pouco, eu não podia dirigir, pois estava com a carta de habilitação suspensa.

Então entendi que não podia ser orgulhoso, que não podia me parecer algo que não era.
Quando me ligaram para fazer essa ação de marketing da locadora, foi imediato – perguntei quanto me pagariam, pois eu sabia o preço que eu iria pagar por essa exposição.
Negociamos e esse dinheiro utilizei para comprar as rações e remédios do Yuri, meu cão de assistência emocional.

Na época estava deprimido e num lugar que não gostaria de estar, então toda oportunidade que aparecia eu agarrava com força. E por mais maluco que seja, eu não menti, pois cresci assistindo Pokemon e amava o Pikachu.
Neste momento, percebi ele, OliverThi, o garoto solitário que assistia os desenhos na infância podendo ser por alguns instantes alguém legal, amado.

Foi interessante olhar, pois ao mesmo tempo que era julgado, era querido, a ponto da Exame.com me chamar de empreendedor na necessidade. Que cá entre nós é a grande realidade de muitas pessoas, principalmente no Brasil – não é o empreender glamuroso, mas sim vindo de numa necessidade vital de sobrevivência.

Entendem?
O orgulho me privaria de ter vivido muitas coisas, desafios e principalmente uma autodescoberta incrível – que tudo é possível para quem vai e faz.

Vencer a barreira do orgulho é tarefa para fortes, para vulneráveis. Na Antroposofia fazemos uma alusão a dragões, que minam nossa existência. E quanto mais humanos nos tornamos, menos orgulhosos nos tornamos.
Ou seja, mais acertamos, e menos erramos.

No final da contas é luz que precisamos, e só reconhecemos tal sentimento quanto a vida nos presenteia com oportunidades. Uma de minhas foi esta história que partilho hoje, e que espero poder ajudar você de alguma forma a ser mais sereno e leve no seu processo.

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Veja a matéria na Exame.com ou a reportagem na BandNews:

 

Créditos de fotos: Thiago Vicente
Edição e manipulação de imagens: Thiago Vicente

Referências de pesquisa de texto: Psicanalise Clínica, Virgo Brasil