Gênero-neutro e a forma humana de ver a si próprio

De modo simplificado, o Gênero neutro (Gender-neutral) é a identificação de quem não se reconhece como masculino ou feminino, ou qualquer outra nomenclatura, e compreende a sexualidade como algo fluído, ou seja, que as preferências podem mudar ao longo da vida. Em minhas próprias palavras é o ser que se identifica apenas como ser, que possui alma, corpo e mente.

Fato é que gênero é uma construção social, e não uma criação divina. Assim como seu modelo binário, composto por masculino e feminino, e que se tornou um referencial absoluto, mas é questionável e até insustentável na atualidade.

Isso bate de frente com a tolerância, e claro, a falta dela, em compreender o outro como um ser humano, que sente e vive suas emoções, e muitas vezes se vê paralisado diante de suas próprias questões, com medo de seguir seu coração e buscar o que todos buscam –  ser feliz, como quer que seja.

Diversidade e tolerância são palavras de ordem.
A nova sociedade, da liberdade no livre pensar, deve partir dessa premissa: tolerar e não julgar. E a conversa sobre estes e outros diversos assuntos servem principalmente para isso – compreender as diferenças, que o outro não é você, e ainda sim respeitar suas escolhas, seu modo de viver, agir, sentir e pensar; e aceitar que mesmo assim, juntos podemos transformar tudo para melhor, com base no amor.

Em nota pessoal, não posso falar do outro, apenas de mim mesmo e minha própria existência. Nasci homem e cresci como tal, porém de modo diferente – sou sensível e delicado, ou seja, diferente para a sociedade.
Ao longo de minha vida amei mulheres e homens, aos quais me relacionei com ambos, de diferentes formas e intensidades. Senti emoções, vivenciei experiências – boas e ruins – e isso me tornou o que sou hoje: apenas um ser humano, que olha para si e para o próximo de modo empático, que ama pessoas, que se atrai por elas e busca olhar para o que é essencial, o que é invisível e o que me aproxima delas – sua alma.

Não foi fácil aceitar (e ainda não é, por vezes), nem tão menos é um processo simples, que traz questões sérias de saúde física e mental, e dúvidas – claro.
A palavra bixessual, infelizmente, traz consigo uma série de preconceitos, como indecisão, inconstância ou mesmo luxúria. Logo, posso concluir que o mais correto é a neutralidade, afinal, somos seres que buscam dentro de nós mesmos respostas para o igual coletivo – a vontade de se viver de forma plena, em paz de espírito e em busca de felicidade.

Assim então, devemos nos questionar-se sempre, buscar informações, dividir, trocar, para evoluir e aceitar o inevitável: nada é ditador, perfeito. E na imperfeição surge infinitas possibilidades de se amar, incondicionalmente.

 

Créditos de fotos e manipulação de imagem: Thiago Vicente
Créditos de vídeo: CBN News
Referências de pesquisa de texto: MarieClaireVEJA, AutoAstral, Wikipedia USA, Wikipedia BR