Design ético e com propósito

Segundo o dicionário, propósito é tudo aquilo que se pretende alcançar ou realizar, com uma determinada finalidade.
Para mim, propósito é o por quê de estarmos fazendo determinada coisa, e vai de encontro com o desejo da alma, do que nos aproxima da felicidade, ou seja, está ligado ao seu próprio autoconhecimento e em compreender o que somos e o que queremos, como pessoas, cidadãos, e principalmente como profissionais.

O designer tem como propósito, além de desenvolver projetos desafiadores e resultados que superam as expectativas de seus clientes, tocar e sensibilizar quem vê seu trabalho e provocar o pensar, o refletir, para causar a conscientização de determinado tema ou assunto, e por fim, influenciar transformações reais. É uma forma contribuir para a humanidade.

“O propósito é uma força tão poderosa quanto a da gravidade, mas, em vez de atrair para baixo, impulsiona adiante”, afirma Joey Reiman, em seu livro Propósito – Por Que Ele Engaja Colaboradores, Constrói Marcas Fortes e Empresas Poderosas.

Já ética é a disciplina que lida com o que é bom e ruim, e com dever e obrigação moral. Logo, um sistema de princípios morais que define o que é percebido como bem e mal.
Portanto, o design ético é qualquer criação feita com intenção de fazer o bem, seja no design, na moda, nos produtos, e demais áreas.
E segue, em sua essência, a hierarquia ética das necessidades, definida pela Ind.ie, uma empresa social que luta pela justiça na era digital, fundada por Aral Balkan e Laura Kalbag, que descreve muito bem o núcleo do design ético:

Como acontece com qualquer estrutura em forma de pirâmide, cada camada da hierarquia ética das necessidades deve ficar uma sobre a outra. Se alguma camada estiver quebrada, as camadas que estão sobre ela cairão. Se um design não suporta os direitos humanos, é antiético. Se apoia os direitos humanos, mas não respeita o esforço humano sendo funcional, conveniente e confiável (e utilizável), então é antiético. Se respeita o esforço humano, mas não respeita a experiência humana, tornando uma vida melhor para as pessoas que a usam, então ainda é antiético.
De um ponto de vista prático, isso significa que produtos e serviços que exploram dados de usuários, usam padrões escuros e geralmente são apenas para ganhar dinheiro, desconsiderando seu propósito humano, são antiéticos.

Assim, design ético e com propósito é nada mais do que criar com ética e responsabilidade, comunicar com significado, com sentido, partilhar novas informações, de forma clara, objetiva e bonita, e ainda provocar transformações e conscientização.
Como profissional, estes são os pilares principais para um bom design, no campo do design gráfico e em todas as suas vertentes – principalmente na criação de marcas. E utilizar-se da ética das necessidades só potencializa este trabalho – além de conectar com meu propósito.

Em tempos de nova era e de ressignificação, de criação de novas ideias e formas de se ver o mundo, de quebra de padrões, é preciso resgatar valores e cuidar de todos estes processos. E isso interfere diretamente no modo em como trabalhamos. O design tem o poder de realizar tudo isso, de forma eficaz, com boas escolhas, pensadas de forma consciente em seus detalhes. E através da soma destas ferramentas, temos a oportunidade de contribuir e evoluir.

O design ético e com propósito é pensado para o todo, no coletivo, e não na centralização. É utilizado para transformar tudo, de fato, e potencializar nossas capacidades.
Sendo assim, ele é mais humano, sensível, e traz empoderamento, alegria, emoções, “super poderes”.
Torna, enfim, a vida melhor.

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Baixe o PDF do Manifesto Design Ético (traduzido) para se inspirar, clicando no A4 abaixo.
Ou veja o vídeo-manifesto AQUI.

 

Créditos de fotos: Thiago Vicente e ind.ie
Créditos de edição, tradução e manipulação de imagens: Thiago Vicente
Créditos de vídeo: i-Dind.ie
Referências de pesquisa de texto: ind.ie, Design transformaSmashing Magazine, Design Culture