O que é minha vida simples hoje

A convite da revista que mais amo ler desde minha adolescência, vida simples, escrevo este texto para partilhar uma breve visão de mundo, vida e como meus dias atuais tem sido por cá. E confesso, sempre sonhei aparecer por lá.

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Falar sobre uma vida simples em tempos atuais é, no mínimo, desafiador. Em meio ao caos das cidades grandes, a vontade do ter cada vez mais e a enorme oportunidade de conhecer tudo através da internet, pouco se fala sobre o que de fato é o simples e essencial para se viver. E foi assim que cheguei em meu jeito de viver hoje: buscando.

Busco a simplicidade, o equilíbrio e o desejo de viver cada vez mais uma vida que faça sentido para mim, sem complicação. Tudo que exige muito esforço não merece mais minha atenção. Digo brincando que levei cerca de 32 anos (minha atual idade) para começar a entender o que de fato sou e o que realmente quero – e posso concordar que a cada novo dia, essa vida simples tem me mostrado ser o melhor caminho.

Percebo que encontro mais perguntas do que respostas, e que a inconstante percepção nada mais mostra que a vida é em si fluída e natural. Viver para mim hoje é mais do que correr atrás de grandes objetivos – que sim, são importantes e dão significados concretos para a vida, mas em exagero nos frustram e causam doenças graves. Vai além do simples viver por viver – e sim no buscar conjunto, no conhecer, no expandir, dividir e trocar.

Por anos, me baseei em conceitos comuns de busca, como ter uma vida confortável e outras tantas coisas. E mesmo tendo tudo, algo sempre me fazia falta – paz de espírito. E com esta inquietação do ser humano na atualidade, segui buscando e encontrei a espiritualidade, largando mão de absolutamente tudo, em gestos até inconsequentes de desespero, tentando ser a pessoa mais zen que conhecia. Em vão, claro. Levei tempo para entender que uma única palavra podia talvez definir esse meu caminho repleto de curvas, altos e baixos: equilíbrio, que segue inclusive tatuado em meu braço para que eu não esqueça.

Hoje, mais conectado comigo mesmo e minha essência, vivo assim: tenho minhas responsabilidades como um ser humano e as cumpro com dedicação e excelência. Aproveito privilégios que construí com o tempo, como meu trabalho remoto, que me permite viver em uma pequena cidade rural, sossegada, que me ajuda a ter essa paz de espírito e que cura, dia após dia, todas as dores do passado. Aproveito tudo que me faz presente: um almoço sozinho ou acompanhado, os passeios diários com meu cão, a estrada para cidade vizinha, o silêncio, o apreciar do café da manhã, o sonhar com uma família, filhos, o aquietar, os hobbies como fotografar, minha horta… E tantas outras possibilidade para tentar escolher melhor e buscar o meio termo em todas as áreas de minha vida. Optei em não ter muitas coisas – e em troca ter mais tempo, principalmente para viver e me conhecer.

Escolhi seguir a contramão, com o que faz meu coração vibrar e em busca constante do que de fato me faz feliz: aprender a viver sem esforço, tudo no seu devido tempo, sem pressa e pressão. Escolhi ouvir minha alma, a me tornar uma pessoa melhor apenas vivendo, errando e aprendendo, resgatando valores que havia esquecido, como a família. Minha vida tem sido uma constante entrega para as relações. E mesmo com medo, mostro como sou de fato. E nestas mesmas relações, quero estar cada vez mais presente, pois aprendi que meu tempo é o bem mais valioso e o que melhor posso oferecer à alguém que cruza meu caminho. Nesta troca, me vejo mais, aprendo mais, e evoluo. E o mágico disso é que é totalmente recíproco, mesmo que o outro não perceba.

Entendo que para se ter uma vida simples hoje, não precisamos viver a vida como os antigos, por exemplo, abrindo mão de conforto e nossos desejos. E nem se ter absolutamente tudo; mas sim aprender a olhar para nós mesmos e encarar toda essa vulnerabilidade e força para seguir buscando aprender a escolher melhor o que nos faz feliz por essência. Cumprir o básico, que é individual para cada ser e aprender a escolher. Ter mais presença, criar novos valores, laços e entender que não existem regras. Que o equilíbrio – assim como é para mim – nos mostra uma única métrica de vida: ser feliz.

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Assista a meu vídeo com um bate-papo no IGTV sobre o assunto. Clique AQUI ou na imagem acima!

 

Créditos de foto: Thiago Vicente
Matéria original: Vida Simples
Música para acompanhar o post: Kina Grannis