Clareza: para ver o seu caminho

No pensar, clareza. No sentir, afeto. No querer, consciência”

Geralmente temos mais facilidade em lidar com questões externas do que em olhar para dentro de nós, para identificar o que temos de bom e ruim.

Comparações, competições, cobranças internas e externas, são coisas que nos distanciam de quem somos e do que gostamos. E enquanto isso, tentamos agradar a todos ou simplesmente nos encaixar em algum lugar que não é nosso, ao mesmo tempo que deixamos de viver a nossa vida de forma verdadeira e autêntica.
Isso mostra o quanto não temos clareza de algo simples: o amor.

A Antroposofia diz que, de um ponto de vista oculto, tudo o que ocorre por amor não traz benefícios pessoais, mas é uma atividade de retribuição por um bem já existente. Que as únicas ações das quais nada teremos no futuro são aquelas feitas a partir de um verdadeiro, autêntico amor.

Essa verdade pode assustar, mas felizmente aprendemos no decorrer da vida.

Na minha última sessão de terapia, levantamos a atitude real do amar – que é aquela que não pede algo em troca, mas que é genuíno, sem expectativas, apenas pelo simples fazer. E talvez seja isso que o torna algo tão difícil.
Não foi fácil reconhecer que, por exemplo, diversas atitudes que tive nos últimos tempos foram bastante egoístas, pois tive diversas escolhas baseado no simples fazer para melhorar a vida de quem eu amava. Mas tudo baseou-se na minha expectativa, da espera de algo em troca: a mesma atitude. Tive, confesso, mas não do jeito que eu queria. E agora, lido com isso.

Amar é liberdade, é fazer sem esperar, é aceitar que o fazer é de bom coração, mesmo sabendo que isso não seja reconhecido. Mas acima de tudo, deixar nossa alma e nosso sentir em paz, com nossas atitudes, sem precisar provar nada.

Quanto mais clareza temos no caminho, de que estamos sozinhos no fim e que somos canais de luz para levar o bem, mais percebemos que estamos no caminho certo.

E em muitas vezes, lidando com pessoas que não percebem essa mágica forma de amar, e nos vemos obrigados a tratar a situação com o mesmo tom, até vezes agressivo, para chamar a atenção para o que realmente importa: quem está vulnerável e precisando de ajuda para evoluir.

Quanto mais claro e objetivo somos, mais vemos os próximos passos na vida, isto é um fato.
E isso auxilia na busca do sentido, do propósito do que a gente faz.

Nesse momento, eu faço algumas questões a mim mesmo, como:

O que eu posso melhorar? Qual história quero contar? Por quê eu faço isso?

E tudo fica claro: eu quero amar. Só que em um ciclo de raiva e ingratidão, precisamos amar a nós próprios primeiro, para só assim termos condições de amar o próximo.

Clareza nos mostra o caminho, e no sentir seguimos. No começo pode ser difícil – e geralmente é mesmo. Mas quando percebemos nosso valor e nossa missão, tudo se torna mais fácil.

Muitos não vão compreender o que queremos de fato, mas o que importa é a clareza no sentimento: amar, a todo custo, no meu caso.
Quanto mais clareza, mais sentir, mais afeto, e mais consciência, como disse no inicio.

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Créditos de fotos: Thiago Vicente
Edição e manipulação de imagens: Thiago Vicente

Referências de pesquisa de texto: Frase de Rudolfo Steiner, SAB, Intentus