Autenticidade: meu Processo Biográfico Antroposófico

“Soltar a juba pra vida, assumir suas imperfeições, erros, acertos.
Compreender que somos humanos, acreditamos, fazemos, machucamos e amamos.
Ser autêntico é apenas ser, assim, um dia de cada vez, um dia de um jeito e de outro.”

Hoje me orgulho e faço questão de dizer o meu nome – Thiago Vicente. Mas nem sempre foi assim.

Para quem me acompanha a mais tempo, sabe que desde os meus 18 anos, usava o nome Oliver Thi, principalmente aqui nas redes sociais.
Mas o que eu não sabia era que esse Oliver era uma forma sutil de me esconder, ou melhor, de me deixar aflorar apenas uma parte de mim: a feliz.
Somos duais. Dentro de cada um de nós habitam vários eu. Comigo, sempre percebi uma infinidade de Thiagos, mas foi muito claro que entre o feliz e o triste, existam dois: OliverThi e Thiago Vicente.

Levei anos para aceitar que no fim somos na verdade, plurais. Como disse agora mesmo, dentro de cada um de nós habitam vários eus.
E os meus motivos eram claros. Era mais fácil encarar um pseudo-personagem do que meus medos, minhas dificuldades, minha história e minhas dores e sombras.

E foi em Portugal que a maior crise de identidade da minha vida veio: não me reconhecia mais Thiago Vicente, apesar de no mestrado ser chamado assim.
Precisei voltar para o Brasil para resgatar isso.
E fiz.

Vasculhei minha história, minha trajetória, criei um álbum – que um dia ainda vou mostrar aqui – mas tudo como desculpa para me orgulhar de mim mesmo.
E isso beirava na minha maior dor: a relação com meu pai, quem me deu o sobrenome Vicente.

Nisso, mais uma vez a Antroposofia me ajudou sem saber.
Enquanto reunia as informações, fatos, histórias, fotos no álbum, nas questões que levantava para os parentes, despertava curioso um carinho pela história e trajetória, que sim de muita dor, que envolvia as mais duras realidades, como abusos, violência, que hoje trato na terapia.
Mas também de muita alegria, poder e resiliência.
E que fizeram parte da minha vida também, mas escolhi diferente. Escolhi transformar, e não ser mais uma estatística negativa, mas sim uma positiva de superação e orgulho.

O nome disso era Processo Biográfico, na Antroposofia. Que num extinto natural de pesquisa interna, me deparei. E que consiste em alcançar novos sentidos para a vida, a partir do olhar com amor para a trajetória passada até o atual momento, com pesquisa, perguntas, respostas, fotografias, fatos, dores e amores.

Para despertar a consciência e com isso poder mudar e transformar, e claro, trazer paz, serenidade, harmonia, equilíbrio e principalmente fortalecimento. Ou seja, ser feliz e pleno.

Rudolf Steiner relacionou o corpo do homem, a alma e o espírito, ou seja, através do corpo o indivíduo se relaciona com o externo, como o objeto se apresenta a ele; com a alma o homem se relaciona com o sentimento de agrado ou desagrado e associa ao seu próprio existir, e por espírito é o que se revela no homem quando ele contempla as coisas como se fosse um ente divino.

Enfim, tudo não passa de um olhar com afeto e amor para nós mesmos, para nossa história, e um aprender constante em aceitar os fatos, se equilibrar e se orgulhar do que nos tornamos, e poder escolher o futuro, feito um dia após o outros, por nossas escolhas atuais, que trazem sentido e felicidade para o ser.

E que possamos seguir assim, leves e transformados, e prontos pra viver uma vida autêntica e verdadeira, e de pazes com o que somos e com nosso nome!

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Créditos de fotos: BNA
Edição e manipulação de imagens: Thiago Vicente

Referências de pesquisa de texto: Biblioteca Nacional da AntroposofiaAlubrat,
Faculdade Rudolf SteinerSAB